“Objetos desanimados: o espírito da animação em Ub Iwerks”

Tema de Laura Erber (Unirio) para a Mesa 1 – Arte, Informação e Natureza. 5 de agosto, das 9h às 11h45

A noção de antropomorfismo como resposta definitiva, generalizante e, em grande medida, impensada, limitou sensivelmente o estudo da relação animado-inanimado no âmbito dos desenhos animados. A partir do exemplo do cartunista Ub Iwerks o trabalho interroga a perda de vida dos objetos sublinhando o papel determinante da musicalidade na vivificação do inanimado e a emergência do objeto funcional como ponto de ruptura de uma poética da plasticidade metamórfica. Nas séries Flip the frog e Silly Simphonies, a todo momento os corpos se convertem em instrumentos de corda ou de sopro enquanto pianos de cauda tocam a si mesmos entre árvores e sapos dançarinos.

Iwerks ocupa um lugar paradoxal na história da animação. Fundou uma linguagem radicalmente plástica e metamórfica e elaborou procedimentos técnicos que resultaram na “desanimação” dos cenários e da paisagem, reduzidos a meros fundos estáticos. Aos poucos, a extrema plasticidade de animações em que tudo é dotado de vida – animais, casas, água, relógios, nuvens, paisagens, arquitetura – cederá lugar a encenação de uma relação tumultuada entre animais e objetos técnicos. Assim surge o personagem Donald Duck, que encena pateticamente os sintomas modernos dessa relação. A partir de 1934, será ele o protagonista de uma série de encontros desencontrados, produzindo verdadeiras batalhas coreográficas.

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